China: Nova cepa do vírus da gripe aviária pode ter sido
transmitida de pessoa para pessoa, dizem autoridades chinesas
(Sam Yeh/AFP)
Cientistas chineses anunciaram nesta terça-feira o que acreditam se
tratar do primeiro caso de transmissão entre humanos da nova cepa do
vírus da gripe aviária, o H7N9.
Segundo autoridades do país, uma filha
de 32 anos adoeceu após cuidar de seu pai, de 60 anos, que estava
infectado pelo vírus. Ele frequentava um mercado de aves com
regularidade, mas a filha não tinha contato com aves de criação vivas.
Ambos morreram em decorrência de complicações provocadas pela infecção.
O caso foi descrito em um artigo publicado na revista médica British Medical Journal
(BMJ). Segundo os especialistas, o vírus ainda não parece ter a
capacidade de ser transmitido de uma pessoa para outra de forma
eficiente. Portanto, o risco de que ele cause uma pandemia entre humanos
é baixo.
A nova cepa do vírus da gripe aviária apareceu em março deste ano, no
leste da China. Segundo o último balanço, atualizado no final de junho,
foram confirmados 132 casos de infecção pelo H7N9, sendo que 43 deles
levaram à morte. A maioria dos doentes havia tido contato com aves,
levando os especialistas a acreditar que o contágio se dava apenas a
partir desses animais. Até a publicação deste estudo, a Organização
Mundial da Saúde (OMS) dizia não haver indícios de transmissão entre
humanos.
Infecção — De acordo com cientistas do Centro de
Controle de Doenças da província de Jiangsu, a transmissão do vírus H7N9
de pai para filha aconteceu em março deste ano. O homem foi
hospitalizado em 11 de março. Seis dias depois do último contato que
teve com o pai, a filha também adoeceu, e foi hospitalizada no dia 28 do
mesmo mês. Ambos morreram por falência múltipla de órgãos: a filha no
dia 24 de abril e o pai, em 4 de maio.
O estudo que analisou o caso sugeriu que houve transmissão entre
humanos pois as duas cepas virais que foram isoladas do pai e da filha
eram quase idênticas geneticamente. Os pesquisadores reconhecem, porém,
que a infecção foi "limitada e não duradoura”, já que não houve uma
epidemia depois desses dois casos. A pesquisa também submeteu a testes
43 pessoas que tiveram contato com os dois doentes, mas nenhuma delas
apresentou a infecção.
fonte: revista veja(Com agência France-Presse)
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