segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Desenvolvido primeiro hambúrguer feito com células-tronco e sem necessidade de abate


Hambúrguer feito a partir de células-tronco é apresentado como possível solução para o fim do abate animal e para reduzir problemas ambientais decorrentes da produção de carne Foto: BBC
Hambúrguer feito a partir de células-tronco Foto: BBC
Notícia boa para quem quer deixar de comer carne animal mas tem dificuldade para abandonar o hábito.
Cientistas da Universidade de Maastricht, na Holanda, apresentaram nesta segunda-feira (5), em Londres, o primeiro hambúrguer feito de células-tronco, sem a necessidade de abate do gado.

As células-tronco foram retiradas de uma vaca para reconstituir os músculos de carne bovina, que foram combinados a outros ingredientes para fazer o hambúrguer. A tecnologia poderia ser uma forma sustentável para suprir a crescente demanda por carne.
Mas se há expectativa para produção em escala industrial no futuro, o projeto para produzir a carne artificial, no presente, foi implementado ao custo exorbitante de cerca de R$ 750 mil.
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“Estamos fazendo isso porque a criação de animais para abate não é boa para o meio ambiente, não vai suprir a demanda mundial por comida e também não é boa para os próprios animais”, ressaltou Mark Post, pesquisador da Universidade de Maastricht.
Já a pesquisadora Helen Breewood, que é vegetariana, afirma que se comesse carne, preferiria a feita em laboratório. “Muita gente considera carne feita em laboratório repulsiva, mas se eles soubessem o que acontece nos abatedouros para a produção de carne, também achariam repulsivo”, ressalta.
A opinião é compartilhada pelo grupo Pessoas pela Ética do Tratamento aos Animais (People for the Ethical Treatment of Animals – Peta). “A carne de laboratório irá favorecer o fim de caminhões cheios de vacas, frango, abatedouros e fazendas de produção. Irá reduzir a emissão de gases de carbono, economizar água e fazer a rede de suprimento de alimentos mais segura”, destacou a nota do Peta.
A notícia e o eventual desenvolvimento da tecnologia é ainda mais importante, considerando o último levantamento das Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) sobre o futuro da produção de alimentos que mostra crescimento da demanda por carne na China e Brasil .
Como foi produzido o hambúrguer
As dificuldades para produzir o hambúrguer com células-tronco começaram com a cor. Como, as células desenvolvidas eram essencialmente musculares e sem envolvimento de circulação sanguínea, por tabela, a carne de laboratório saiu inicialmente branca, mas a equipe holandesa está tentando adicionar o composto mioglobina.
Na primeira experiência, no entanto, foi usado suco de beterraba para dar a cor avermelhada. “Se não se parece com a carne normal, se não tem gosto de uma carne normal, não se tornará viável”, afirma Breewood. Além do suco, foi adicionado ao hambúrguer  farinha de rosca, caramelo e açafrão. Até o momento, os cientistas podem apenas produzir pequenos pedaços de carne por vez.
As células-tronco podem se desenvolver em tecidos de quaisquer partes do corpo de um animal, tais como nervos, músculos, gorduras, ossos e pele.  No laboratório, as células são colocadas numa cultura com nutrientes para promover o crescimento e multiplicação das células. Três semanas depois, as mais de um milhão de células-tronco geradas são colocadas em recipientes menores onde se tornam pequenas tiras de músculo de um centímetro de comprimento e alguns milímetros de espessura.
As pequenas tiras são coletadas e juntadas em pequenos montes, que são congelados. Quando alcançam uma quantidade suficiente, elas são descongeladas e compactadas na forma de um hambúrguer antes de serem cozidos.

fonte: diario do nordeste

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