Papa Francisco
no palco, enquanto presidia o Dia Mundial da Juventude da Igreja
Católica na praia de Copacabana, - Antonio Lacerda/EFE
Papa Francisco
senta no palco enquanto presidia o Dia Mundial da Juventude da Igreja
Católica na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro - Ricardo
Moraes/Reuters
Papa acena para fiéis durante passagem por Copacabana - Heitor Feitosa
Papa acena para fiéis durante passagem por Copacabana - Heitor Feitosa
Os organizadores da Jornada Mundial da Juventude
estavam certos em um ponto: o público pacífico e ordeiro ajudaria a
fazer do evento uma festa sem grandes problemas.
Os acertos da
prefeitura, da Igreja Católica e principalmente da empresa Dream
Factory, contratada para organizar a JMJ, acabam aí. Todos os
planejamentos de transporte, segurança e saúde do evento estão sendo
refeitos neste momento, para serem apresentados oficialmente na manhã
desta sexta-feira, às 11h. Depois de meses de planejamento e gastos da
ordem de 300 milhões de reais, grande parte do que foi preparado até
agora foi levado pelas chuvas. E o que foi anunciado – como a segurança
em Guaratiba feita pelo Exército, a peregrinação de 13 quilômetros e as
orientações sobre transporte – não vale mais. Em uma coletiva de
imprensa na tarde desta quinta-feira, os representantes dos órgãos
envolvidos se negaram a dizer quanto foi gasto só em Guaratiba.
“Não vamos transformar isso num jogo de números”, pediu o prefeito
Eduardo Paes, anfitrião da festa, preservando os visitantes de um
constrangimento maior. Ele, Paes, o orçamento e os moradores do Rio, vão
ficar com a conta da mudança. Ao lado do prefeito estavam, à mesa, o
ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo; dom Paulo Cezar Costa,
vice-presidente do Comitê Organizador Local (COL) da jornada; e o
secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho.
O desastre da organização de Guaratiba não
pode ser considerado surpreendente. Como mostrou reportagem do site de
VEJA, o Ministério Público do Estado do Rio alertou para uma série de
problemas na organização, concentrados principalmente em Guaratiba. Para
citar apenas um deles: o risco de alagamento do terreno, caso o período
de chuvas coincidisse com a maré cheia, o que eleva o nível dos rios da
região e dificulta o escoamento da água. A maré desta quinta-feira é
considerada “muito alta” – com altura estimada em 1,3 metro.
O descarte da área de 3,5 milhões de metros quadrados na Zona Oeste,
onde só havia mato e foi criado um gigantesco descampado, é o exemplo
extremo e indiscutível de que o evento foi mal planejado. A mudança de
local da vigília e da missa de encerramento, comandada pelo papa
Francisco, vai muito além da troca de endereço: empresas contratadas e
forças de segurança envolvidas precisam deslocar toda a estrutura para a
Zona Sul da cidade, causando mais dois dias de interdições e
transtornos inesperados – algo que enerva os moradores do bairro que
mais recebe eventos na cidade, onde é realizado o réveillon mais famoso
do Brasil e uma infinidade de shows ao longo do ano.

A JMJ no 'New York Times': críticas à organização do evento
Na coletiva desta tarde, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo,
não deu detalhes de como será a segurança em Copacabana. “Vou ter
reunião com (José Mariano, secretário de Segurança) Beltrame para ver
como será feita a segurança. O governo federal vai dar todo apoio para a
segurança pública”, disse. Em Guaratiba, a preocupação era com
manifestações e pequenos furtos. Em Copacabana, os fiéis ficam expostos
aos problemas comuns da insegurança urbana em uma grande cidade. E,
claro, facilita-se a vida dos manifestantes, que poderão se deslocar com
mais facilidade.
Problemas – A festa é de fato singular em sua
diversidade, alegria e caráter pacífico. Desde a segunda-feira, jovens
de todos os cantos do mundo circulam exibindo orgulhosos os símbolos da
Jornada e as bandeiras de seus países. Diferentemente dos eventos
esportivos, o desfile de símbolos nacionais se dá de forma fraternal,
não competitiva – e até portadores de flâmulas do Brasil e da Argentina
se abraçam, algo impossível em uma Copa do Mundo.
Mas é inegável que os percalços arranharam a festa, pelo que se viu até
esta quinta-feira. O primeiro problema – superado pela personalidade do
papa e pelo perfil pacífico da multidão – foi o erro no deslocamento do
pontífice até o centro da cidade. O veículo em que viajava Francisco
foi cercado pela multidão e acabou preso em um engarrafamento na Avenida
Presidente Vargas. Na terça-feira, o metrô, transporte recomendado para
a chegada dos peregrinos a Copacabana, para a cerimônia de abertura da
JMJ, parou por duas horas devido a uma pane – o que complicou a volta
dos cariocas para casa e impediu a chegada de fiéis à festa. Na
quarta-feira, houve nova pane, de menor porte.
Peregrinação – A mudança de local da missa final
desvirtua o que havia sido planejado para o evento. Toda Jornada Mundial
da Juventude tem uma peregrinação. No caso do Rio, o objetivo era levar
o evento a uma área menos favorecida, e a escolhida foi Guaratiba. Para
resgatar o espírito de peregrinação, a prefeitura do Rio avaliou fazer o
bloqueio de vias de forma a obrigar os peregrinos a andar mais que o
normal. A ideia foi descartada e, por volta das 18h, o Comitê
Organizador Local (COL) informou que a vigília e a peregrinação estavam
cancelados em função do clima.
Os transtornos da organização da JMJ, somados aos protestos que se
repetem há um mês na cidade fizeram a visibilidade internacional do Rio
funcionar ao contrário. O jornal New York Times publicou, nesta quinta-feira, uma reportagem apontando problemas na organização. Em Chicago, o Chicago Sun-Times trouxe
como manchete, na quarta-feira, uma pergunta: “Perdemos para isso?”,
dizia o título, com uma foto de um grupo de manifestantes.
O recado está dado aos organizadores da Olimpíada de 2016 e da Copa do Mundo, que acontece daqui a menos de um ano.
fonte : revista veja
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