Papa Francisco preside missa solene na Basílica de São Paulo de Fora dos Muros, em Roma - Max Rossi/Reuters
O séquito que acompanhará o papa Francisco no Brasil –
o mais enxuto já visto desde os tempos de João Paulo II — terá um
integrante surpreendente: um padre sem função na Cúria Romana nem na
diplomacia do Vaticano. O fato é raríssimo na história da Igreja.
Trata-se do brasileiro Alexandre Awi Mello, de São Paulo.
Mello foi um
dos poucos nomes escolhidos pessoalmente pelo pontífice, já que o staff
papal costuma ser determinado de forma protocolar pela própria cúpula
da Santa Sé. O padre brasileiro fará parte do grupo do alto-escalão do
séquito, formado por menos de dez pessoas. Significa que ele será um dos
poucos prelados a estar realmente próximo do papa — fará as refeições à
mesa com o pontífice e estará presente nas orações diárias matinais,
por exemplo.
Francisco conheceu Mello durante a V Conferência Geral do Episcopado
Latino-Americano e do Caribe, que ocorreu na cidade paulista de
Aparecida, em 2007. O papa, na época cardeal Jorge Bergoglio, foi o
principal redator do documento produzido no evento, hoje uma das
principais referências de evangelização católica. Mello o auxiliou nos
trabalhos. Os dois conviveram diariamente ao longo de três semanas.
O padre brasileiro é uma referência em mariologia, estudos teológicos
sobre Nossa Senhora. Aos 42 anos, especializou-se no assunto na
prestigiosa Universidade de Dayton, em Ohio, nos Estados Unidos. Mello
nasceu no Rio de Janeiro, mas mora em São Paulo. Pertence ao movimento
apostólico internacional de Schoenstatt, corrente católica mariana,
fundada na Alemanha em 1914.
Não só a especialidade teológica de Mello agrada a Francisco. O padre é
um ótimo comunicador. No Instituto Secular Padres de Schoenstatt, onde
mora, tornou-se uma liderança entre os jovens fieis. Curiosamente, Mello
tem características muito semelhantes a Francisco. O sorriso doce,
quase tímido. A fala calma, mas radical. Diz ele: “Muitas vezes o fiel
brasileiro tem uma relação de interesse por Maria, tratando-a como um
objeto de milagres. Devemos imitar as suas atitudes, sendo como ela e
seu filho, Jesus. Apenas isso”.
fonte: revista veja
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