Mais de 100 usuários de drogas foram retirados de Jacarezinho - Sergio Moraes/Reuters
Forças de segurança ocuparam neste domingo, em apenas dez minutos, o
complexo de favelas de Manguinhos, Zona Norte do Rio de Janeiro.
Na
região vizinha do Jacarezinho, a maior cracolândia da cidade, mais de
110 usuários de drogas foram recolhidos durante ação da Polícia Civil.
Considerado um dos mais perigosos da cidade, o complexo de favelas era
controlado por um grupo de traficantes que mantinha locais de venda e
consumo de drogas ao ar livre.
Também foram ocupadas pela polícia as favelas de Mandela e Varginha.
Participaram na ocupação, anunciada na sexta-feira, 1.500 homens, entre
policiais e fuzileiros navais, com o apoio de seis blindados da Marinha,
segundo informou a secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro.
Os membros das forças de segurança entraram no complexo por volta das 5
horas e utilizaram retroescavadeiras para retirar as barreiras que os
traficantes utilizavam para bloquear os acessos às favelas.
Os primeiros a entrar em Manguinhos foram os membros do Batalhão de
Operações Especiais da Polícia Militar (Bope), que utilizaram veículos
blindados para chegar rapidamente aos locais estratégicos e
controlá-los. Jacarezinho, por outro lado, foi ocupada pela Polícia
Civil.
Sem confronto – Com exceção de alguns fogos de
artifício, com que os traficantes anunciam a chegada da polícia, e de
disparos esporádicos, as comunidades foram ocupadas sem nenhum confronto
com os traficantes. Aparentemente, como ocorreu em outras ocupações
similares que são anunciadas previamente, os bandidos fugiram antes da
chegada das forças de segurança pública nas favelas. Dessa vez, porém, o
Bope realizou operações prévias nas favelas próximas para onde os
traficantes poderiam fugir. Foi em uma destas operações, no Morro do
Juramento, que aconteceu um confronto na manhã do sábado, no qual
morreram cinco traficantes que fugiam de Manguinhos.
A ação policial deste domingo completa um ciclo de ocupações iniciado
pela Zona Sul. Depois das favelas a parte nobre do Rio, o governo do
estado cercou o estádio do Maracanã – local da final da Copa do Mundo de
2014 – e áreas da Zona Norte. Manguinhos, Jacarezinho, Mandela e
Varginha passaram a ser o reduto mais importante das grandes quadrilhas
de tráfico de drogas. A "Faixa de Gaza" ganhou este apelido em razão dos
tiroteios entre traficantes rivais e entre bandidos e policiais. As
favelas ficam próximas do encontro de duas vias importantes da Zona
Norte, as avenidas Leopoldo Bulhões e Dom Helder Câmara – locais que, à
noite, tornaram-se perigosos até para os blindados da polícia.
Depois da ocupação das grandes favelas, Manguinhos e Jacarezinho
tornaram-se esconderijo de criminosos do Comando Vermelho como Marcelo
Fernando Pinheiro Veiga, o Marcelo Piloto, chefe do tráfico da favela do
Mandela. Piloto tem 15 mandados de prisão por tráfico, homicídios e
outros crimes. Piloto aparece no vídeo obtivo por VEJA que mostra bandidos contando grandes somas de dinheiro e andando armados pela região.
Entre Manguinhos e Jacarezinho funciona a maior cracolândia do Rio. Em
julho, em apenas dois dias foram recolhidos 153 usuários de crack das
ruas pela Secretaria de Assistência Social. A estimativa da polícia é de
que, só em Manguinhos, traficantes movimentem 45.000 reais por dia.
Recentemente, chegou a circular o boato de que traficantes teriam
"proibido" a venda de crack.
UPPs – Assim como na Rocinha e no Alemão, a ocupação
da "Faixa de Gaza" carioca é o início de um processo delicado de
restabelecimento da ordem em um território degradado. As duas grandes
favelas já ocupadas são alvo de constantes investidas de bandidos e, com
frequências, há episódios como execuções e troca de tiros de bandidos e
policiais.
A política de pacificação das favelas começou pelo morro Dona Marta, em
Botafogo, uma pequena encosta onde se formou a favela. No dia 19 de
dezembro de 2008, as forças de segurança ocuparam a área, onde os
traficantes viviam encastelados e eram a autoridade máxima sobre a
população de 10.000 habitantes. O efeito da operação foi sentido
imediatamente: imóveis subiram de valor, moradores passaram a elogiar a
polícia – que antes era vista como inimiga – e o morro tornou-se ponto
turístico.
Ao todo, o Rio tem atualmente 28 UPPs. Favelas pequenas, como
Babilônia, Cantagalo e Chapéu Mangueira, seguiram o mesmo roteiro. Em
áreas maiores, como Alemão, Rocinha e Cidade de Deus, no entanto, o
efetivo policial empregado ameniza a situação, mas não promove a
tranquilidade tão rapidamente. O objetivo das ações, sempre lembrado
pelo secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, é
principalmente acabar com o controle do território e tirar moradores “da
mira de fuzis” – e não necessariamente acabar com o tráfico de drogas.
Como se sabe, a venda de drogas persiste em muitas das favelas ocupadas,
mas no sistema de “formiguinhas”, ou seja, sem que moradores e
visitantes tenham que se submeter às ordens de bandidos armados.
fonte: revista veja
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