É a guerrilheira de quem todos estão falando: uma jovem holandesa que
entrou nas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) faz dez
anos e agora participará das negociações de paz que pode encerrar quase
meio século de conflito armado.
Seu nome de batismo é Tanja Nijmeijer, mas entre os guerrilheiros ela é conhecida como "Eileen", "Alexandra" ou "Holanda".
| Foto de arquivo mostra Tanja Nijmeijer, 34, holandesa que se uniu às Farc em 2002 e negociará paz com Colômbia. |
Especula-se inclusive que a inesperada inclusão de Tanja na equipe de
negociação das Farc seja uma das razões pelas quais o início do diálogo
atrasou. As negociações não devem mais começar nesta quarta-feira em
Oslo, na Noruega, como estava previsto, mas, sim, no dia seguinte.
Tudo parece indicar que a jovem de 34 anos somente se integraria à
equipe negociadora na segunda fase das conversações, marcada para a
capital cubana, Havana. E isso significa que ainda estaria nas selvas
colombianas, onde Tanja entrou pela primeira vez no fim de 2002.
"Estudei cultura e idiomas latinos na universidade de Groningen. E como
parte do meu curso, tinha de fazer uma parte prática na Colômbia (em
1998)", contou Tanja anos depois durante uma entrevista à rádio
Netherlands Worldwide.
"Passei um ano na Colômbia, mas nunca pensei em viver lá ou em me unir
aos guerrilheiros. Mas quando voltei à Holanda e comecei a trabalhar
como ativista política, percebi que a revolução nunca iria acontecer na
Holanda. Ela estava acontecendo na Colômbia. E por isso resolvi voltar
(em 2002)."
DÍARIO NA SELVA
Ela contou ainda que começou como miliciana em Bogotá por seis meses e
depois foi fazer um curso na selva. "Lá me dei conta que a guerrilha não
era como pintava a mídia."
Sua presença nas Farc ficou mais conhecida em 2007, quando o Exército
tornou público parte de seu diário, encontrado após um ataque a um
acampamento guerrilheiro.
Nele, a holandesa criticava duramente a promiscuidade sexual dos
guerrilheiros e o comportamento egoísta de alguns comandantes. "Como
será quando tomarmos o poder? As mulheres dos comandantes em Ferraris,
com implantes nos seios e comendo caviar?", diz um dos trechos.
Segundo o analista Leon Valencia, co-autor de um livro sobre a vida de Tanja, isso fez com que ela quase fosse fuzilada.
"(A publicação) teve um efeito demolidor para a imagem de Tanja dentro
do comando das Farc e desatou uma onda de pressões por parte de alguns
guerrilheiros, que decretaram sua pena de morte", conta Valencia em
Tanja, uma holandesa nas Farc.
GUERRILHEIRA ATÉ MORRER?
Segundo o autor, ela foi resgatada pelo comandante guerrilheiro Raúl
Reyes, que acreditava que Tanja podia ser útil para melhorar a imagem
das Farc na Europa e atrair outros combatentes de lá.
O especialista diz que ela foi subindo de posto rapidamente dentro da
guerrilha e não parece deixar dúvidas sobre sua fidelidade aos rebeldes.
"Sou guerrilheira das Farc e seguirei sendo até vencer ou morrer. Isso não tem volta", disse Tanja na época da entrevista.
Agora, porém, como negociadora, parece que sua missão não será trabalhar para tomar o poder, mas sim para alcançar a paz.
| fonte: DA BBC BRASIL Associated Press |
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