Pesquisa concluiu que ômega-3, nutriente presente nesses alimentos, reduz níveis de proteína no sangue associada à doença.
Peixes e outros alimentos ricos em ômega-3 podem ser aliados para evitar Alzheimer
(Thinkstock)
Pesquisadores americanos sugeriram que comer grandes quantidades de
alimentos ricos em ômega-3, como peixes, linhaça, nozes, castanhas e
azeite, ajuda a evitar o Alzheimer. Isso acontece, segundo os
especialistas, porque o nutriente pode reduzir os níveis de uma proteína
ligada à doença no sangue de uma pessoa. O estudo, que foi conduzido no
Centro Médico da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, foi
publicado nesta quarta-feira na Neurology, revista da Academia Americana de Neurologia.
CONHEÇA A PESQUISA
Título original: Nutrient intake and plasma β-amyloid
Onde foi divulgada: revista Neurology
Quem fez: Yian Gu, Nicole Schupf, Stephanie Cosentino e Nikolas Scarmas
Instituição: Universidade de Columbia, Estados Unidos
Dados de amostragem: 1.219 idosos com mais de 65 anos e sem demência
Resultado: Pessoas que apresentam maiores quantidades de ômega-3 no sangue, que vem com o consumo de peixe, nozes, castanha e linhaça, apresentam menores níveis de beta-amiloide, proteína associada à presença da doença de Alzheimer
Estudos anteriores já haviam indicado o efeito protetor de alimentos
ricos em ômega-3 em relação à doença de Alzheimer, mas esse estudo
identificou o mecanismo pelo qual o nutriente evita o aparecimento do
problema. De acordo com os pesquisadores, o ômega-3 reduz a quantidade
de beta-amiloide no sangue. O acúmulo dessa proteína é comumente
encontrado na autópsia do cérebro de pessoas que morrem com Alzheimer e,
segundo outros trabalhos, grandes quantidades do composto podem
desencadear o aparecimento da doença antes mesmo de um indivíduo
apresentar sintomas de perda de memória.
Leia também: Molécula pode bloquear desenvolvimento do Alzheimer
Nessa pesquisa, a equipe analisou 1.219 idosos com 65 anos ou mais que
não tinham demência. Durante 14 meses, eles informaram aos pesquisadores
sobre seus hábitos alimentares e, após esse período, foram submetidos a
exames de sangue que mediram níveis da proteína beta-amiloide e de
nutrientes como ômega-3, ômega-6 e vitaminas.
Resultados — Os pesquisadores observaram que os
indivíduos que consumiam maiores quantidades de ômega-3 eram aqueles que
apresentavam níveis menores de beta-amiloide no sangue. No entanto,
essa associação não foi encontrada em relação a outros nutrientes.
Segundo Nikolas Scarmeas, um dos autores do estudo, esse benefício pode
ser obtido mesmo com o acréscimo de pequenas quantidades no nutriente na
alimentação diária. “Nossa pesquisa acrescenta dados às evidências de
que o ômega-3 é benéfico para evitar, além de doenças cardiovasculares,
como vários estudos já sugeriram, o declínio de memória. O nutriente é
capaz de proteger o coração e o cérebro”, diz Scarmeas.
Peixe e coração — As novas Diretrizes Europeias sobre
Prevenção e Prática Clínica de Doenças Cardiovasculares, feitas pela
Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC, na sigla em inglês) e
apresentadas nesta quinta-feira no encontro anual da entidade, na
Irlanda, reforçaram as indicações de que o consumo diário de peixes e de
outros alimentos ricos em ômega-3 protege o corpo contra doenças
cardiovasculares. Embora os especialistas tenham focado nos benefícios
do nutriente ao coração, eles reconheceram que o ácido graxo também
protege o cérebro e a saúde imunológica.
As diretrizes indicam que as pessoas devam comer uma porção de peixe ao
menos duas vezes por semana, e que o consumo do alimento é mais
benéfico do que o uso de suplementos de ômega-3. Mas não adianta, como
lembram os especialistas, ingerir peixe se uma pessoa mantém hábitos não
saudáveis, como tabagismo, alcoolismo e sedentarismo.
fonte: revista veja
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